quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 10

AS DECISÕES DO SÍNODO DE DORT 
SOBRE A DOUTRINA DOS ARMINIANOS

Nas primeiras sessões, o Sínodo discutiu a agenda e decidiu chamar treze dos teólogos arminianos mais importantes para defender a doutrina deles. Episcopus, professor da faculdade de teologia em Leiden e sucessor de Armínio, e doze pastores compareceram em dezembro de 1618. Para eles, o sínodo não passava de uma conferência e eles lhe negavam competência para agir como um tribunal em quetões de doutrina. Eles não queriam ser tratados como réus. A tática do grupo arminiano era a de obstruir as reuniões do sínodo com debates formais. O Sínodo queria discutir os
artigos da "Remonstrância", mas o grupo arminiano se recusava a expor claramente sua própria posição doutrinária. Após quatro semanas de debates inútei, o presidente do sínodo dispensou o grupo dos arminianos. Com isto o sínodo passou a julgar a doutrina arminiana com base em seus escritos. Os cinco artigos dos arminianos foram discutidos e uma comissão preparou o texto dos "cânones" ou regras de doutrina em que se condenava a doutrina arminiana e se expunha a doutrina reformada.   

     Estes "Cânones de Dort" foram aceitos por todos os delegados. Na sessão plenária do dia 6 de maio de 1619 os "Cânones" foram solenemente promulgados.    
    As Igrejas Reformadas dos Países Baixos tinham agora sua terceira confissão de fé, ao lado do Catecismo de Heidelberg (1563) e da Confissão Belga (1561). As três juntas são ainda hoje chamadas As Três Formas de Unidade e constituem os Símbolos de Fé de muitas Igrejas Reformadas.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 9

O SÍNODO NACIONAL DE DORT 1618-19: 
 SUA COMPOSIÇÃO

Graças à intervenção do Príncipe de Orange, os preparativos para o sínodo podiam começar. Os sínodos provinciais e as Igrejas de língua francesa elegeram seus delegados, num total de 39 pastores e 19 presbítieros. Entre eles havia uma minoria de arminianos. Os Estados Gerais, que haviam convocado o sínodo nacional e também pagavam as despesas, eram representados por 19 "comissários políticos", na maioria prefeitos ou juristas. Cada faculdade de teologia das universidades do país e cada seminário regional elegeu um representante. Entre eles, Gomaro!
    
     Os Estados Gerais convidaram também representantes de Igrejas Reformadas estrangeiras. As reuniões seriam todas em latim para que os delegados estrangeiros pudessem participar das discussões.
     A cidade de Dort foi escolhida pelos EStados Gerais porque era a mais antiga da Holando, oferecia segurança (a guerra com a Espanha não havia terminado ainda) e permanecera firme na religião reformada tendo sempre magistrados e pastores gomaristas.
   


No dia 13 de navembro de 1618, teve início o sínodo. Como seu presidente, foi eleito um pastor de província da Frísia, Johannes Bogerman. Ele tinha como seu secretário particular um pastor inglês, Guilelmus Amesius, um "putitano".

domingo, 28 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 8

A NAÇÃO DIVIDIDA E A IGREJA FORAM SALVAS PELA 
INTERVENÇÃO DE MAURÍCIO DE ORANGE-NASSAU

Muitas autoridades locais e provinciais eram partidárias dos arminianos e perseguiam pastores do grupo de Gomaro. Por outro lado, o povo estava com os pastores gomaristas e apoiados pelos governantes. A nação estava dividida. 
     Deus usou o príncipe Maurício de Orange, Conde de Nassau, segundo filho de Guilherme de Orange, para salvar a situação. (Ele era primo em segundo grau so outro Maurício de Nassau que governador do Brasil holandês.) O príncipe viu claramente o perigo de a República perder sua unidade. Usando sua influência como Governador-Geral da República, ele começou a quebrar o poder das autoridades arminianas.
     Porém o passo decisivo foi dado em 1617, quando Maurício e toda a sua corte passaram a frequentar o culto numa igreja gomarista.
    Em resumo, Maurício desarmou as tropas dos magistrados arminianos e depôs as autoridades arminianas. Em outubro de 1617 os Estados Gerais, a mais alta autoridade do país, decidiram convocar um Sínodo Nacional.  

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 7

OS DOIS GRUPOS PUBLICAM DOCUMENTOS

 Depois da morte de Armínio, em 1609, o grupo arminiano publicou, em 1610, "A Remonstrância" (pleito, pedido). Com este manifesto, os arminianos
tentaram ganhar a simpatia dos líderes da província mais poderosa, a Holanda. Eles declararam que uma revisão do catecismo e da confissão de fé era uma coisa normal, e certamente uma coisa permitida se o governo convocasse um sínodo nacional.
     Além disso, o documento expunha o ponto de vista teológico em cinco pontos de doutrina, tomados de um manuscrito de Armínio: 1) Deus elegeu os que creriam; 2) o sacrifício de Cristo é para todos, mas somente o crente o recebe; 3) a fé é um dom da graça de Deus; 4) esta graça, porém, pode ser rejeitada; e 5) também os crentes podem causar a própria perdição.
   


Os teólogos gomaristas também publicaram um documento, a "Contra-Remonstrância". O grupo de Gomaro dizia que os arminianos queriam uma revisão das confissões de fé, mas sequer apresentavam pontos concretos de objeção. Além disso, diziam os gomaristas, quem tivesse objeção contra a confissão, devia procurar uma assembléia da Igreja e não do governo. O governo não pode decidir sobre questões de doutrina. Por fim, os gomaristas esclareceram seu ponto de vista em sete artigos:  1) Deus, em seu beneplácito, escolhe alguns afim de salvá-lospor Cristo, sendo as demais pessoas preteridas; 2) este decreto se aplica também a crianças; 3) aos eleitos, Deus dá a fé; 4) para eles é o sacrifício reconciliatório de Cristo; e 5) o Espírito os renova; 6) o Espírito os guarda na fé; e 7) eles mostram gratidão através das obras.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 6

A CONTROVÉRSIA SE TORNA UMA QUESTÃO NACIONAL

A controvérsia não ficou dentro das paredes das salas de aula da Universidade de Leiden. Os dois homens ganharam adeptos e defensores não apenas entre pastores e governantes, mas também entre o povo. A controvérsia era confessional, porque Gomaro e outros acusavam Armínio de contradizer a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg, o catecismo oficial da Igreja Reformada da Holanda. Mas esta controvérsia confessional ganhou dimensões nacionais devido à grande influência das autoridades civis sobre a vida da Igreja naquela época. A convocaçãode um sínodo nacional, por exemplo, que Armínio pedia para resolver a controvérsia, cabia ao governo da República dos Países Baixos, que era chamado de "Os Estados Gerais".
 
     Os Estados Gerais deram permissão para o sínodo nacional (1606).
     Mas Armínio e os seus complicaram a situação querendo uma revisão das confissões de fé. Gomaro e os seus, chamados "gomaristas", eram contra tal revisão. Eles queriam que a controvérsia doutrinária fosse resolvida com base na doutrina já formulada nas confissões de fé. Os dois teólogos tinham simpatizantes entre governantes, o que impedia uma solução rápida.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 5

DE ONDE VEM O NOME "ARMINIANOS"?



 
 Tudo começou com Jacobus Arminius, ou Armínio em português. Seu nome esclarece o termo "arminianos", que são adeptos de Armínio ou defensores dos ensinamentos dele. Este teólogo holandês era pastor da Igreja Reformada em Amsterdã e foi nomeado, em 1603, como professor de teologia na Universidade de Leiden, a mais antiga e mais famosa universidade da Holanda. Logo em 1604, Armínio apresentou uma tese sobre predestinação e eleição divina. Ele afirmava que o decreto eterno de Deus significa que Ele aceita em sua graça aqueles que se arrependem e crêem. Assim a salvação depende da presciência de Deus. 



 

Armínio pensava que suas idéias estivessem em conformidade com a Confissão Belga, a confissão de fé da Igreja Reformada Holandesa. Mas um dos seus colegas, Franciscus Gomarus, ou Gomaro, não concordou com isso. No mesmo ano, 1604, Gomaro apresentou sua tese dizendo que a predestinação significa que Deus escolhe alguns para a vida eterna por sua soberana vontade e por seu amor imerecido, enquanto as demais pessoas permanecem na morte eterna. Gomaro viu Armínio um contestador da confissão reformada e por isso se tornou seu adversário.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 4

                  O QUE SIGNIFICA O NOME "SÍNODO DE DORT"?


Antes de contar a história, é preciso esclarecer para os leitores que "Dort" ou Dordrecht é uma cidade da Holanda que fica nas proximidades de Roterdã. Na época, Dort era uma das principais cidades da Holanda, a província mais poderosa da República.
    A palavra "sínodo" sigifica, na estrutura da Igreja Reformada, uma assembléia de pastores e presbíteros, representantes das igrejas locais. Existem sínodos provinciais ou regionais, e sinodos nacionais. Um sínodo nacional ou geral é composto de delegados eleitos por todos os sínodos provinciais.

Cada sínodo nacional é chamado pelo nome da cidade onde é realizado. Por isso falamos de "Sínodo de Dort", e acrescetamosos anos 1618-19 para indicar que este Sínodo começou em 1618 e terminou no ano seguinte. Sem dúvida, este sínodo é o mais famoso da Igreja Reformada da Holanda, e por isso conhecido como O Grande Sínodo.

sábado, 20 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 3


A SITUAÇÃO HISTÓRICA


     Quando falamos sobre a igreja na Holanda (Países Baixos), estamos nos referindo à Igreja Reformada. Em alguns países da Europa, a Igreja da Reforma Protestante seguia os ensinamentos de Lutero. Mas a maioria dos protestantes dos Países Baixos, tanto do Sul (a atual Bélgica) como do Norte (a atual Holanda), seguia mais os ensinamentos de João Calvino, o Reformador francês. Eles adotaram o nome simplificado de Igreja Reformada, seguindo o exemplo de Calvino, em Genebra, na Suíça.
     Em torno de 1580 a religião reformada se tornou a única reconhecida pelas autoridades civis da Holanda, embora outras religiões fossem toleradas. A partir do fim do século XVI, a Igreja Reformada era a Igreja privilegiada e predominante na República dos Sete Países Unidos (o nome oficial do novo Estado independente, que era uma confederação de sete províncias situadas no Norte dos Países Baixos). Podemos até dizer que o Estado se tornou Reformado. Mas este fato não trazia benefícios apenas para a Igreja. Muitas autoridades civis, que eram membros da Igreja Reformada, queriam mandar na Igreja. É aqui que temos um dos fatores principais do conflito que só foi resolvido pelo Sínodo de Dort em 1618-19.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 2

POR QUE PUBLICAMOS NO BRASIL 
UMA ANTIGA CONFISSÃO DE FÉ 
QUE TEM SUA ORIGEM NA HOLANDA?


Cremos que os Cinco Artigos de Fé que o Sínodo de Dort formulou para defender a doutrina da Reforma Protestante ainda são importantes, também para o Brasil. 
A importância dos Cindo Artigos de Fé está na sua fidelidade às Escrituras, em especial à doutrina da graça de Deus. Por isso, esta confissão de fé pode esclarecer as mentes de muitos evangélicos brasileiros que têm a posição arminiana, muitas vezes sem saber. Este esclarecimento é necessário porque a posição arminiana não é sustentável à luz das Escrituras.

As linhas seguintes explicarão o que é o arminianismo e a história por trás do Sínodo de Dort, que escreveu os Cinco Artigos de Fé contra os arminianos.

domingo, 14 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 1

Os Cânones de Dort

 Os cinco artigos de fé sobre o arminianismo


Mais uma confissão. Por quê?

Os delegados das Igrejas Reformadas da Europa tinham como objetivo analisar as poisções dos Arminianos à luz das Escrituras pela ótica da Confissão Belga e do Catecismo de Heidelberg, padrões doutrinários já aceitos pelos Reformados.

Cláudio A. B. Marra
Editor