terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 17

Os Cinco Artigos de Fé sobre 
o Arminianismo
1º Capítulo DA DOUTRINA:
A DIVINA ELEIÇÃO E REPROVAÇÃO

  
Artigo 7 - Eleição definida
 
      Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual Ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de Sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído, por sua própria culpa, de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, mas envolvidos na mesma miséria. São escolhidos, porém, em Cristo, a quem Deus constituiu, desde a eternidade, Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação. E, para salvá-los e atraí-los à sua comunhão por meio da Sua Palavra e de Deu Espírito. Em outras palavras, Ele decidiu dar-lhes verdadeira fé em Cristo, justificá-los, santificá-los, e depois, tendo-os guardado poderosamente na comunhão de Seu Filho, finalmente glorificá-los. Deus fez isto para a demosntração de sua misericórdia e para o louvor da riqueza de Sua gloriosa graça. Como está escrito ...assim como nos escolheu Nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele; e em amor nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade, para louvor da glória de Sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... E em outro lugar: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também, glorificou (Ef 1.4-6; Rm 8.30).


Artigo 8 - Um só decreto de eleição

     Esta eleição não é multipla, mas é uma e a mesma de todos os que são salvos tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Pois a Escritura nos prega o único bom propósito e conselho da vontade de Deus, pelo qual Ele nos escolheu desde a eternidade, tanto para a graça como para a glória, assim também para a salvação e para o caminho da salvação, o qual preparou para que andássemos nele (Ef 1.4-5; 2.10).

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Bebendo Suco de Laranja para a Glória de Deus


Bebendo Suco de Laranja para a Glória de Deus

Escrito por: John Piper 
Fonte secundária: Monergismo

bebendo-suco-piper
Quando me perguntam: “A Doutrina de Depravação Total é bíblica?”, minha resposta é: “Sim”. Uma das coisas que pretendo dizer com esta resposta é que todas as nossas ações (sem a graça salvadora) são moralmente maculadas. Em outras palavras, tudo o que o incrédulo faz é pecaminoso e, portanto, inaceitável a Deus.
Uma de minhas razões para crer nisto encontra-se em 1 Coríntios 10.31: “Quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. É pecado desobedecermos este mandamento das Escrituras? Sim.
Por isso, chego a esta triste conclusão: é pecado alguém comer, ou beber, ou fazer qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus. Em outras palavras, o pecado não é apenas uma lista de coisas prejudiciais (matar, roubar, etc.). Pecamos quando deixamos Deus fora de consideração nas realizações triviais de nossa vida. Pecado é qualquer coisa que fazemos, que não seja feito para a glória de Deus.
É pecado alguém comer, ou beber, ou fazer qualquer outra coisa, se não for para a glória de Deus.
Mas, o que os incrédulos fazem para a glória de Deus? Nada. Conseqüentemente, tudo o que eles fazem é pecaminoso. É isso que pretendo dizer, quando afirmo que, sem a graça salvadora, tudo que fazemos é moralmente ruim.
Evidentemente, isto suscita uma questão prática: como podemos “comer e beber” para a glória de Deus? Tal como, por exemplo, beber suco de laranja no café da manhã?
Uma das respostas encontra-se em 1 Timóteo 4.3-5:
…[alguns] proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado.
Suco de laranja foi criado para ser “recebido com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade”. Portanto, os incrédulos não podem usar suco de laranja para cumprir o propósito que Deus tencionou – ou seja, uma ocasião para ações de graça sinceras, dirigidas a Ele, provenientes de um coração de .
Mas os crentes podem, e esta é a maneira como glorificam a Deus. O suco de laranja que eles bebem é santificado “pela palavra de Deus e pela oração” (1 Tm 4.5). A oração é a nossa humilde resposta de agradecimento do coração. Crer nesta verdade, apresentada na Palavra de Deus, e oferecer ações de graça, em oração, é uma das maneiras de bebermos suco de laranja para a glória de Deus.
A outra maneira é bebermos com amor. Por exemplo, não insista na porção maior. Isto é ensinado no contexto de 1 Co 10.33: “Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos”. “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co 11.1). Tudo o que fazemos – inclusive beber suco de laranja – pode ser feito com a intenção e a esperança de que será proveitoso para muitos, a fim de que sejam salvos.
Louvemos a Deus porque, pela sua graça, fomos libertos da ruína completa de nossos atos. E façamos tudo, quer comamos, quer bebamos, para a glória de nosso grande Deus!
Fonte: Extraído do livro Penetrado pela Palavra, John Piper, Editora Fiel.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Acampamento em Recife/PE: Homens Segundo o Coração de Deus


Site: http://futuroshomens.com/

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 16

Os Cinco Artigos de Fé sobre 
o Arminianismo
1º Capítulo DA DOUTRINA:
A DIVINA ELEIÇÃO E REPROVAÇÃO

 Artigo 5 - A causa da incredulidade e a fonte da fé
 
      Em Deus não está, de forma alguma, a causa ou culpa dessa incredulidade. O homem tem essa culpa, assim como a de todos os demais pecados. Mas a fé em Jesus Cristo e também a salvação por meio dele são dons gratuitos de Deus, como está escrito: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus... (Ef 2.8).

      Semelhantemente, Porque vos foi concedida a graça de ... crer em Cristo (Fp 1.29).


Artigo 6 - Decreto eterno de Deus

     Deus nesta vida concede a fé a alguns enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras dizem que Ele ...faz estas coisas conhecidas desde séculos... e que ...ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade... (At 15.18; Ef 1.11). De acordo com este decreto, Ele graciosamente quebranta o coração do eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu juízo, Ele deixa os não-eleitos em sua própria maldade e dureza de coração. E aqui especialmente nos é manifesta a profunda, misericordiosa e ao mesmo tempo justa distinção entre homens que estão sob a mesma condição de perdição. Este é o decreto da eleição e reprovação revelado na Palavra de Deus. Ainda que os homens perversos, impuros e instáveis o deturpem, para sua própria perdição, ele dá um inexprimível conforto para as pessoas santas e tementes a Deus.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Alvin Plantinga - Alguns argumentos ateístas contra a existência de Deus

Alvin Plantinga - Alguns argumentos ateístas contra a existência de Deus:

http://www.youtube.com/v/9nDs2_yGsXU?version=3&autohide=1&showinfo=1&autohide=1&autoplay=1&feature=share&attribution_tag=XL1bpRCdp3bQqMcj-vD1lg

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 15

Os Cinco Artigos de Fé sobre 
o Arminianismo*

1º Capítulo DA DOUTRINA:
A DIVINA ELEIÇÃO E REPROVAÇÃO*

  
          Artigo 1 - Toda a humanidade é condenável perante Deus
     Todos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Por isso ninguém teria sido injustiçado se Ele tivesse resolvido deixar toda a raça humana no pecado e sob a maldição e decidido condená-la por causa do seu pecado, de acordo com as palavras do apóstolo: ...para que se cale toda a boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus... pois todos pecaram e carecem da glória de Deus..., e ...o salário do pecado é a morte... (Rm 3.19,23; 6.23).   

     Artigo 2 - O envio do Filho de Deus

     Mas nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo..., ...para que todo o que nele crê no pereça, mas tenha a vida eterna (1 Jo 4.9; Jo 3.16).


Artigo 3 - A pregação do Evangelho
 
     Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros dessa alegre boa-nova a quem e quando Ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque ...como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregaram se não forem enviados? (Rm 10.14-15).
     
                                  
 Artigo 4 - Um duplo resultado

     A ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem no Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abraçam a Jesus, o Salvador, com uma fé verdadeira e viva, são redimidos por Ele da ira de Deus e da perdição, e presenteados com a vida eterna (Jo 3.36; Mc 16.16).




 * Arminianos, Arminianismo Leia na introdução aos Cinco Artigos, parte 5.

* Reprovação Trata-se do decreto justo de Deus pelo qual Ele decidiu salvar um determinado número de pessoas, deixando-as na miséria de seus pecados em que elas se lançaram por culpa própria.Leia também a explicação no artigo 15 do capítulo 1 (em breve).


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 14

O TEXTO DESTA EDIÇÃO DOS
CÂNONES DE DORT


Este texto foi preparado por uma equipe de missionários das Igrejas Reformadas do Canadá e da Holanda, antigamente ou atualmente residentes no Brasil. O texto foi depois revisto e corrigido por algumas pessoas bem versadas na língua portuguesa.
     A tradução se baseia nos textos oficiais do Sínodo, um em latim e o outro em holandês. Foram também consultadas traduções modernas em holandês e inglês. Seguindo o exemplo delas, dividimos muitas frases longas em duas ou três frases. Tentamos evitar uma linguagem elevada, mas reconhecemos que nem sempre foi possível evitar o uso de palavras que no dia-a-dia são pouco utilizadas.
      Ao final desta edição o leitor encontrará um glossário que explica alguns termos difíceis e nomes pouco conhecidos.
     O leitor verá que o terceiro e o quarto capítulos foram reunidos. Isto não é um capricho nosso, pois os textos antigos já apresentam essa característica.
     Depois de cada capítulo há uma seção chamada "Rejeição de erros", contendo uma reprodução do erro e sua refutação. "Erro" significa, aqui, heresia.
     Acrescentamos aos "Cinco Artigos de Fé sobre o Arminianismo" a Conclusão do Sínodo, que também aparece no texto oficial.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 13

A ESCOLHA DE UM TÍTULO DIFERENTE


 O título mais antigo referente a esseevento é "A Sentença do Sínodo Nacional de Dort" como resultado do julgamento dos cinco artigos da "Remonstrância".
     Essa denominação ainda aparece em edições modernas na Holanda, como subtítulo. Entretanto, a mais usada é "Os Cânones de Dort". Na tradição do antigos Concícios, "cânones são regras de doutrin que preservam a doutrina pura e condenam heresias".
     Nos países de língua inglsa é muito comum falar-se dos "Cinco Pontos do Calvinismo" se referindo a cinco doutrinas características dos "calvinistas" ou reformados. Mas esta é uma denominação popular que não pode servir de título para um documento confessional que nasceu de uma luta num momento determinado da História.
     Pesando num título que reconheça a origem histórica desta confissão de fé e que ao mesmo tempo signifique algo no contexto brasileiro, optamos por Os Cânones de Dort com o subtítulo: "Os cinco artigos de fé sobre o Arminianismo". Falamos de "cinco artigos de fé" porque "Os Cânones de Dort" contém cinco capítulos de doutrina formulados contra os cinco artigos da "Remonstrância". O número "cinco" está também presente no nome "Os Conco Pontos do Calvinismo".

domingo, 4 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 12

A IMPORTÂNCIA DAS DECISÕES 
DOUTRINÁRIAS DO SÍNODO DE DORT 
SOBRE O ARMINIANISMO



A Igreja Reformada tinha de definir se pregaria a salvação apenas pela graça de Deus ou a salvação (também) pelas obras dos homens.
     A Igreja estava novamente enfrentando o pensamento semipelagiano, tão dominante na Igreja Católico Romana, e que no fundo é um pensamento humanista, porque coloca Deus em posição de dependência do homem. O resultado do Sínodo de Dort foi um documento que, sem negligenciar a responsabilidade do homem, salientou a salvação pela graça de Deus, como disse o apóstolo Paulo em Romanos 9.16: Assim, pois, não depende de quem quer; ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.                                                                          A questão que gerou conflito dentro da Igreja Reformada da Holanda e que levou o Sínodo de Dort (1618-1619) à decisão de formular uma nova confissão de fé não era acadêmica ou teórica.
   Os debates entre Armínio e Gomaro tinham a ver com quatro áreas importantes:
     a. a própria teologia, ou seja, a doutrina sobre Deus: quem é Deus? Ele é o Soberano que escolheu certas pessoas livremente, só pela graça, sem depender de nenhuma condição humana (Gomaro)? Ou...
        Ele é um Deus que aguarda o ato do homem e depende da fé (previa) para escolher os que crêem (Armínio)?
     b. a doutrina sobre o homem: tanto Armínio como Gomaro diziam que a fé é um dom de Deus. Mas Armínio divisava um vínculo entre o decreto eterno de Deus e o ato de fé do homem. O homem pode rejeitar o dom da fé. E ele é responsável por sua salvação através de sua vontade. Gomaro dizia o contrário: quando Deus concede o dom da fé, o homem não pode nem vai rejeitar esse dom.
       A salvação não depende da vontade ou do consentimento humano.
     c. a pregação: Armínio acreditava que o homem tinha condições de tomar uma decisão livre, pró ou contra a salvação oferecida por Deus na pregação. A pregação só precisava persuadir o homem a aceitar a salvação. Para Gomaro, cada pregação era uma ordem de Deus para que os ouvintes crescem nas promessas firmes, na Evangelho, na salvação do pecador pela graça de Deus. Ele afirmava que era o poder de Deus no Evangelho pregado que levava o homem à salvação e à certeza da sua eleição.
     d. o trabalho pastoral: Gomaro considerava que os crentes não teriam certeza da salvação se acreditassem na opinião de Armínio de que Deus escolhia pessoas com base em sua fé prevista. Por isso Gomaro enfatizava que todo o trabalho pastoral tinha de apontar para a obra de Cristo como a base da salvação.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 11

O CARÁTER DO SÍNODO DE DORT:
NACIONAL E INTERNACIONAL

       O Sínodo de Dort era primeiramente um sínodo nacional. Muitas questões da Igreja so Países Baixos tinham de ser resolvidas.
    Mas os Estados Gerais queriam também que o sínodo fosse em assembléia geral das Igrejas Reformadas na Europa. Para isto, foram convidados todos os Reformados de outros países. Mas este propósito não foi alcançado totalmente. O rei da França não deu autorização para que os franceses Reformados assistissem ao sínodo. Nem todas as Igrejas da Alemanha mandaram representantes. Os 26 delegados estrangeiros que assistiram ao Sínodo vieram de Paltz, Bremen, Emden, Hessen, e Nassau (todas elas regiões ou cidades na atual Alemanha), e também da Suíça (de Genebra e de Regiões de língua alemã), enquanto da Inglaterra vieram teólogos Anglicanos. O Rei da Inglaterra não quis enviar teólogos da Igreja Presbiteriana da Escócia (da linha Reformada). Mesmo assim , tododas os delegados estrangeiros concordaram com os "Cânones de Dort". Por isso o Sínodo de Dort pode ser considerado o primeiro Sínodo Internacional de Igrejas Reformadas.
      Ademais, o Sínodo Geral da Igreja Reformada da França, 1620, adotou os "Cânones de Dort" tiveram influência também na preparação da Confissão de Westminster (1647), a Confissão de Fé mais conhecida no mundo Presbiteriano. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 10

AS DECISÕES DO SÍNODO DE DORT 
SOBRE A DOUTRINA DOS ARMINIANOS

Nas primeiras sessões, o Sínodo discutiu a agenda e decidiu chamar treze dos teólogos arminianos mais importantes para defender a doutrina deles. Episcopus, professor da faculdade de teologia em Leiden e sucessor de Armínio, e doze pastores compareceram em dezembro de 1618. Para eles, o sínodo não passava de uma conferência e eles lhe negavam competência para agir como um tribunal em quetões de doutrina. Eles não queriam ser tratados como réus. A tática do grupo arminiano era a de obstruir as reuniões do sínodo com debates formais. O Sínodo queria discutir os
artigos da "Remonstrância", mas o grupo arminiano se recusava a expor claramente sua própria posição doutrinária. Após quatro semanas de debates inútei, o presidente do sínodo dispensou o grupo dos arminianos. Com isto o sínodo passou a julgar a doutrina arminiana com base em seus escritos. Os cinco artigos dos arminianos foram discutidos e uma comissão preparou o texto dos "cânones" ou regras de doutrina em que se condenava a doutrina arminiana e se expunha a doutrina reformada.   

     Estes "Cânones de Dort" foram aceitos por todos os delegados. Na sessão plenária do dia 6 de maio de 1619 os "Cânones" foram solenemente promulgados.    
    As Igrejas Reformadas dos Países Baixos tinham agora sua terceira confissão de fé, ao lado do Catecismo de Heidelberg (1563) e da Confissão Belga (1561). As três juntas são ainda hoje chamadas As Três Formas de Unidade e constituem os Símbolos de Fé de muitas Igrejas Reformadas.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 9

O SÍNODO NACIONAL DE DORT 1618-19: 
 SUA COMPOSIÇÃO

Graças à intervenção do Príncipe de Orange, os preparativos para o sínodo podiam começar. Os sínodos provinciais e as Igrejas de língua francesa elegeram seus delegados, num total de 39 pastores e 19 presbítieros. Entre eles havia uma minoria de arminianos. Os Estados Gerais, que haviam convocado o sínodo nacional e também pagavam as despesas, eram representados por 19 "comissários políticos", na maioria prefeitos ou juristas. Cada faculdade de teologia das universidades do país e cada seminário regional elegeu um representante. Entre eles, Gomaro!
    
     Os Estados Gerais convidaram também representantes de Igrejas Reformadas estrangeiras. As reuniões seriam todas em latim para que os delegados estrangeiros pudessem participar das discussões.
     A cidade de Dort foi escolhida pelos EStados Gerais porque era a mais antiga da Holando, oferecia segurança (a guerra com a Espanha não havia terminado ainda) e permanecera firme na religião reformada tendo sempre magistrados e pastores gomaristas.
   


No dia 13 de navembro de 1618, teve início o sínodo. Como seu presidente, foi eleito um pastor de província da Frísia, Johannes Bogerman. Ele tinha como seu secretário particular um pastor inglês, Guilelmus Amesius, um "putitano".

domingo, 28 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 8

A NAÇÃO DIVIDIDA E A IGREJA FORAM SALVAS PELA 
INTERVENÇÃO DE MAURÍCIO DE ORANGE-NASSAU

Muitas autoridades locais e provinciais eram partidárias dos arminianos e perseguiam pastores do grupo de Gomaro. Por outro lado, o povo estava com os pastores gomaristas e apoiados pelos governantes. A nação estava dividida. 
     Deus usou o príncipe Maurício de Orange, Conde de Nassau, segundo filho de Guilherme de Orange, para salvar a situação. (Ele era primo em segundo grau so outro Maurício de Nassau que governador do Brasil holandês.) O príncipe viu claramente o perigo de a República perder sua unidade. Usando sua influência como Governador-Geral da República, ele começou a quebrar o poder das autoridades arminianas.
     Porém o passo decisivo foi dado em 1617, quando Maurício e toda a sua corte passaram a frequentar o culto numa igreja gomarista.
    Em resumo, Maurício desarmou as tropas dos magistrados arminianos e depôs as autoridades arminianas. Em outubro de 1617 os Estados Gerais, a mais alta autoridade do país, decidiram convocar um Sínodo Nacional.  

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 7

OS DOIS GRUPOS PUBLICAM DOCUMENTOS

 Depois da morte de Armínio, em 1609, o grupo arminiano publicou, em 1610, "A Remonstrância" (pleito, pedido). Com este manifesto, os arminianos
tentaram ganhar a simpatia dos líderes da província mais poderosa, a Holanda. Eles declararam que uma revisão do catecismo e da confissão de fé era uma coisa normal, e certamente uma coisa permitida se o governo convocasse um sínodo nacional.
     Além disso, o documento expunha o ponto de vista teológico em cinco pontos de doutrina, tomados de um manuscrito de Armínio: 1) Deus elegeu os que creriam; 2) o sacrifício de Cristo é para todos, mas somente o crente o recebe; 3) a fé é um dom da graça de Deus; 4) esta graça, porém, pode ser rejeitada; e 5) também os crentes podem causar a própria perdição.
   


Os teólogos gomaristas também publicaram um documento, a "Contra-Remonstrância". O grupo de Gomaro dizia que os arminianos queriam uma revisão das confissões de fé, mas sequer apresentavam pontos concretos de objeção. Além disso, diziam os gomaristas, quem tivesse objeção contra a confissão, devia procurar uma assembléia da Igreja e não do governo. O governo não pode decidir sobre questões de doutrina. Por fim, os gomaristas esclareceram seu ponto de vista em sete artigos:  1) Deus, em seu beneplácito, escolhe alguns afim de salvá-lospor Cristo, sendo as demais pessoas preteridas; 2) este decreto se aplica também a crianças; 3) aos eleitos, Deus dá a fé; 4) para eles é o sacrifício reconciliatório de Cristo; e 5) o Espírito os renova; 6) o Espírito os guarda na fé; e 7) eles mostram gratidão através das obras.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 6

A CONTROVÉRSIA SE TORNA UMA QUESTÃO NACIONAL

A controvérsia não ficou dentro das paredes das salas de aula da Universidade de Leiden. Os dois homens ganharam adeptos e defensores não apenas entre pastores e governantes, mas também entre o povo. A controvérsia era confessional, porque Gomaro e outros acusavam Armínio de contradizer a Confissão Belga e o Catecismo de Heidelberg, o catecismo oficial da Igreja Reformada da Holanda. Mas esta controvérsia confessional ganhou dimensões nacionais devido à grande influência das autoridades civis sobre a vida da Igreja naquela época. A convocaçãode um sínodo nacional, por exemplo, que Armínio pedia para resolver a controvérsia, cabia ao governo da República dos Países Baixos, que era chamado de "Os Estados Gerais".
 
     Os Estados Gerais deram permissão para o sínodo nacional (1606).
     Mas Armínio e os seus complicaram a situação querendo uma revisão das confissões de fé. Gomaro e os seus, chamados "gomaristas", eram contra tal revisão. Eles queriam que a controvérsia doutrinária fosse resolvida com base na doutrina já formulada nas confissões de fé. Os dois teólogos tinham simpatizantes entre governantes, o que impedia uma solução rápida.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 5

DE ONDE VEM O NOME "ARMINIANOS"?



 
 Tudo começou com Jacobus Arminius, ou Armínio em português. Seu nome esclarece o termo "arminianos", que são adeptos de Armínio ou defensores dos ensinamentos dele. Este teólogo holandês era pastor da Igreja Reformada em Amsterdã e foi nomeado, em 1603, como professor de teologia na Universidade de Leiden, a mais antiga e mais famosa universidade da Holanda. Logo em 1604, Armínio apresentou uma tese sobre predestinação e eleição divina. Ele afirmava que o decreto eterno de Deus significa que Ele aceita em sua graça aqueles que se arrependem e crêem. Assim a salvação depende da presciência de Deus. 



 

Armínio pensava que suas idéias estivessem em conformidade com a Confissão Belga, a confissão de fé da Igreja Reformada Holandesa. Mas um dos seus colegas, Franciscus Gomarus, ou Gomaro, não concordou com isso. No mesmo ano, 1604, Gomaro apresentou sua tese dizendo que a predestinação significa que Deus escolhe alguns para a vida eterna por sua soberana vontade e por seu amor imerecido, enquanto as demais pessoas permanecem na morte eterna. Gomaro viu Armínio um contestador da confissão reformada e por isso se tornou seu adversário.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 4

                  O QUE SIGNIFICA O NOME "SÍNODO DE DORT"?


Antes de contar a história, é preciso esclarecer para os leitores que "Dort" ou Dordrecht é uma cidade da Holanda que fica nas proximidades de Roterdã. Na época, Dort era uma das principais cidades da Holanda, a província mais poderosa da República.
    A palavra "sínodo" sigifica, na estrutura da Igreja Reformada, uma assembléia de pastores e presbíteros, representantes das igrejas locais. Existem sínodos provinciais ou regionais, e sinodos nacionais. Um sínodo nacional ou geral é composto de delegados eleitos por todos os sínodos provinciais.

Cada sínodo nacional é chamado pelo nome da cidade onde é realizado. Por isso falamos de "Sínodo de Dort", e acrescetamosos anos 1618-19 para indicar que este Sínodo começou em 1618 e terminou no ano seguinte. Sem dúvida, este sínodo é o mais famoso da Igreja Reformada da Holanda, e por isso conhecido como O Grande Sínodo.

sábado, 20 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 3


A SITUAÇÃO HISTÓRICA


     Quando falamos sobre a igreja na Holanda (Países Baixos), estamos nos referindo à Igreja Reformada. Em alguns países da Europa, a Igreja da Reforma Protestante seguia os ensinamentos de Lutero. Mas a maioria dos protestantes dos Países Baixos, tanto do Sul (a atual Bélgica) como do Norte (a atual Holanda), seguia mais os ensinamentos de João Calvino, o Reformador francês. Eles adotaram o nome simplificado de Igreja Reformada, seguindo o exemplo de Calvino, em Genebra, na Suíça.
     Em torno de 1580 a religião reformada se tornou a única reconhecida pelas autoridades civis da Holanda, embora outras religiões fossem toleradas. A partir do fim do século XVI, a Igreja Reformada era a Igreja privilegiada e predominante na República dos Sete Países Unidos (o nome oficial do novo Estado independente, que era uma confederação de sete províncias situadas no Norte dos Países Baixos). Podemos até dizer que o Estado se tornou Reformado. Mas este fato não trazia benefícios apenas para a Igreja. Muitas autoridades civis, que eram membros da Igreja Reformada, queriam mandar na Igreja. É aqui que temos um dos fatores principais do conflito que só foi resolvido pelo Sínodo de Dort em 1618-19.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 2

POR QUE PUBLICAMOS NO BRASIL 
UMA ANTIGA CONFISSÃO DE FÉ 
QUE TEM SUA ORIGEM NA HOLANDA?


Cremos que os Cinco Artigos de Fé que o Sínodo de Dort formulou para defender a doutrina da Reforma Protestante ainda são importantes, também para o Brasil. 
A importância dos Cindo Artigos de Fé está na sua fidelidade às Escrituras, em especial à doutrina da graça de Deus. Por isso, esta confissão de fé pode esclarecer as mentes de muitos evangélicos brasileiros que têm a posição arminiana, muitas vezes sem saber. Este esclarecimento é necessário porque a posição arminiana não é sustentável à luz das Escrituras.

As linhas seguintes explicarão o que é o arminianismo e a história por trás do Sínodo de Dort, que escreveu os Cinco Artigos de Fé contra os arminianos.

domingo, 14 de julho de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 1

Os Cânones de Dort

 Os cinco artigos de fé sobre o arminianismo


Mais uma confissão. Por quê?

Os delegados das Igrejas Reformadas da Europa tinham como objetivo analisar as poisções dos Arminianos à luz das Escrituras pela ótica da Confissão Belga e do Catecismo de Heidelberg, padrões doutrinários já aceitos pelos Reformados.

Cláudio A. B. Marra
Editor