sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 14

O TEXTO DESTA EDIÇÃO DOS
CÂNONES DE DORT


Este texto foi preparado por uma equipe de missionários das Igrejas Reformadas do Canadá e da Holanda, antigamente ou atualmente residentes no Brasil. O texto foi depois revisto e corrigido por algumas pessoas bem versadas na língua portuguesa.
     A tradução se baseia nos textos oficiais do Sínodo, um em latim e o outro em holandês. Foram também consultadas traduções modernas em holandês e inglês. Seguindo o exemplo delas, dividimos muitas frases longas em duas ou três frases. Tentamos evitar uma linguagem elevada, mas reconhecemos que nem sempre foi possível evitar o uso de palavras que no dia-a-dia são pouco utilizadas.
      Ao final desta edição o leitor encontrará um glossário que explica alguns termos difíceis e nomes pouco conhecidos.
     O leitor verá que o terceiro e o quarto capítulos foram reunidos. Isto não é um capricho nosso, pois os textos antigos já apresentam essa característica.
     Depois de cada capítulo há uma seção chamada "Rejeição de erros", contendo uma reprodução do erro e sua refutação. "Erro" significa, aqui, heresia.
     Acrescentamos aos "Cinco Artigos de Fé sobre o Arminianismo" a Conclusão do Sínodo, que também aparece no texto oficial.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 13

A ESCOLHA DE UM TÍTULO DIFERENTE


 O título mais antigo referente a esseevento é "A Sentença do Sínodo Nacional de Dort" como resultado do julgamento dos cinco artigos da "Remonstrância".
     Essa denominação ainda aparece em edições modernas na Holanda, como subtítulo. Entretanto, a mais usada é "Os Cânones de Dort". Na tradição do antigos Concícios, "cânones são regras de doutrin que preservam a doutrina pura e condenam heresias".
     Nos países de língua inglsa é muito comum falar-se dos "Cinco Pontos do Calvinismo" se referindo a cinco doutrinas características dos "calvinistas" ou reformados. Mas esta é uma denominação popular que não pode servir de título para um documento confessional que nasceu de uma luta num momento determinado da História.
     Pesando num título que reconheça a origem histórica desta confissão de fé e que ao mesmo tempo signifique algo no contexto brasileiro, optamos por Os Cânones de Dort com o subtítulo: "Os cinco artigos de fé sobre o Arminianismo". Falamos de "cinco artigos de fé" porque "Os Cânones de Dort" contém cinco capítulos de doutrina formulados contra os cinco artigos da "Remonstrância". O número "cinco" está também presente no nome "Os Conco Pontos do Calvinismo".

domingo, 4 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 12

A IMPORTÂNCIA DAS DECISÕES 
DOUTRINÁRIAS DO SÍNODO DE DORT 
SOBRE O ARMINIANISMO



A Igreja Reformada tinha de definir se pregaria a salvação apenas pela graça de Deus ou a salvação (também) pelas obras dos homens.
     A Igreja estava novamente enfrentando o pensamento semipelagiano, tão dominante na Igreja Católico Romana, e que no fundo é um pensamento humanista, porque coloca Deus em posição de dependência do homem. O resultado do Sínodo de Dort foi um documento que, sem negligenciar a responsabilidade do homem, salientou a salvação pela graça de Deus, como disse o apóstolo Paulo em Romanos 9.16: Assim, pois, não depende de quem quer; ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.                                                                          A questão que gerou conflito dentro da Igreja Reformada da Holanda e que levou o Sínodo de Dort (1618-1619) à decisão de formular uma nova confissão de fé não era acadêmica ou teórica.
   Os debates entre Armínio e Gomaro tinham a ver com quatro áreas importantes:
     a. a própria teologia, ou seja, a doutrina sobre Deus: quem é Deus? Ele é o Soberano que escolheu certas pessoas livremente, só pela graça, sem depender de nenhuma condição humana (Gomaro)? Ou...
        Ele é um Deus que aguarda o ato do homem e depende da fé (previa) para escolher os que crêem (Armínio)?
     b. a doutrina sobre o homem: tanto Armínio como Gomaro diziam que a fé é um dom de Deus. Mas Armínio divisava um vínculo entre o decreto eterno de Deus e o ato de fé do homem. O homem pode rejeitar o dom da fé. E ele é responsável por sua salvação através de sua vontade. Gomaro dizia o contrário: quando Deus concede o dom da fé, o homem não pode nem vai rejeitar esse dom.
       A salvação não depende da vontade ou do consentimento humano.
     c. a pregação: Armínio acreditava que o homem tinha condições de tomar uma decisão livre, pró ou contra a salvação oferecida por Deus na pregação. A pregação só precisava persuadir o homem a aceitar a salvação. Para Gomaro, cada pregação era uma ordem de Deus para que os ouvintes crescem nas promessas firmes, na Evangelho, na salvação do pecador pela graça de Deus. Ele afirmava que era o poder de Deus no Evangelho pregado que levava o homem à salvação e à certeza da sua eleição.
     d. o trabalho pastoral: Gomaro considerava que os crentes não teriam certeza da salvação se acreditassem na opinião de Armínio de que Deus escolhia pessoas com base em sua fé prevista. Por isso Gomaro enfatizava que todo o trabalho pastoral tinha de apontar para a obra de Cristo como a base da salvação.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Os Cânones de Dort (Ed. Cultura Cristã) - parte 11

O CARÁTER DO SÍNODO DE DORT:
NACIONAL E INTERNACIONAL

       O Sínodo de Dort era primeiramente um sínodo nacional. Muitas questões da Igreja so Países Baixos tinham de ser resolvidas.
    Mas os Estados Gerais queriam também que o sínodo fosse em assembléia geral das Igrejas Reformadas na Europa. Para isto, foram convidados todos os Reformados de outros países. Mas este propósito não foi alcançado totalmente. O rei da França não deu autorização para que os franceses Reformados assistissem ao sínodo. Nem todas as Igrejas da Alemanha mandaram representantes. Os 26 delegados estrangeiros que assistiram ao Sínodo vieram de Paltz, Bremen, Emden, Hessen, e Nassau (todas elas regiões ou cidades na atual Alemanha), e também da Suíça (de Genebra e de Regiões de língua alemã), enquanto da Inglaterra vieram teólogos Anglicanos. O Rei da Inglaterra não quis enviar teólogos da Igreja Presbiteriana da Escócia (da linha Reformada). Mesmo assim , tododas os delegados estrangeiros concordaram com os "Cânones de Dort". Por isso o Sínodo de Dort pode ser considerado o primeiro Sínodo Internacional de Igrejas Reformadas.
      Ademais, o Sínodo Geral da Igreja Reformada da França, 1620, adotou os "Cânones de Dort" tiveram influência também na preparação da Confissão de Westminster (1647), a Confissão de Fé mais conhecida no mundo Presbiteriano.